quinta-feira, 1 de julho de 2010


A COROA DE ROSAS
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A fim, oculto amor, de coroar-te,
de adornar tuas tranças luminosas,
uma coroa teci de brancas rosas,
e fui pelo mundo afora, a procurar-te.
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Sem nunca te encontrar, crendo avistar-te
nas moças que encontrava, donairosas,
fui-as beijando e fui-lhes dando as rosas
da coroa feita com amor e arte.
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Trago, de caminhar, os membros lassos,
acutilam-me os ventos e as geadas,
já não sei o que são noites serenas...
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Sinto que vais chegar, ouço-te os passos
mas ai! nas minhas mãos ensangüentadas
uma cora de espinhos trago apenas!
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Eugênio de Castro

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